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Ônibus tira muitos carros das ruas?

Ônibus tira sim muitos carros das ruas e Brasil não é refém do transporte rodoviário

No entanto, transportes sobre trilhos devem ser ampliados ao mesmo tempo que o sistema de ônibus precisa ser modernizado.

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Segundo Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

Comete um erro muito grande, ou não tem as melhores das intenções, quem diz que o ônibus hoje no Brasil não faz com que as pessoas deixem o carro em casa.

Os ônibus no País transportam diariamente, segundo levantamento da NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, 40 milhões de pessoas. Só na Capital Paulista e na Região Metropolitana, são cerca de 10 milhões de passageiros por dia.

Num país cujo dado mais recente do Denatran – Departamento Nacional de Trânsito – mostra que há um carro para 4,4 habitantes, e na cidade de São Paulo, onde há em média um carro para 2,1 pessoas, pensar que todos estes 40 milhões de passageiros no Brasil, dos quais 10 milhões na Região Metropolitana de São Paulo, são desprovidos de meios próprios de deslocamento é um tremendo equívoco.

A verdade é que os ônibus, sim, tiram muitos carros das ruas mesmo do jeito que está atualmente o transporte coletivo que, sem nenhuma sombra de dúvida, precisa ser melhorado e muito.

Todos os dias, milhões de pessoas em todo o País deixam de fato seus carros e motos em casa para usar o transporte público. E os ônibus urbanos e metropolitanos são responsáveis atualmente por atender 87% da demanda de viagens nas cidades brasileiras.

Uma prova dessa realidade foi sentida na pele por milhões de paulistanos nesta última sexta-feira, dia 24 de maio de 2014, quando, segundo a medição da CET – Companhia de Engenharia de Tráfego, às 19 horas foi batido o recorde de congestionamento na cidade de São Paulo em toda a história: 344 quilômetros das vias monitoradas pela companhia estavam travadas.

A cidade de São Paulo se ressentia de uma paralisação de três dias de motoristas e cobradores de ônibus. Naquela sexta-feira, 15 cidades da região metropolitana estavam com os transportes prejudicados por causa de paralisações da categoria.

Sem serviços plenos na Grande São Paulo (muitos carros que passam pela Capital são da região metropolitana) e com incertezas ainda sobre a oferta de ônibus na cidade, as pessoas que costumam deixar os veículos próprios em casa, acabaram fazendo uso deles.

É certo que naquela mesma noite, a cidade registrava chuva e manifestações que bloqueavam vias importantes, como a Marginal do Rio Pinheiros e a região do Viaduto do Chá, no centro.

No entanto, mesmo antes da chuva e das manifestações, a cidade já tinha trânsito acima da média. Este repórter começou a acompanhar para a Rádio CBN, a situação do trânsito na cidade às cinco horas da manhã, noticiou em tempo real este fato. Logo nas primeiras horas do dia, os índices de congestionamento estavam bem acima da média.

Quem fala que o ônibus não é mais capaz de reduzir os congestionamentos nas cidades, ou não sabe o que está dizendo ou tem alguma intenção não muito clara.

O que deveria acontecer é que ônibus teria de atrair mais pessoas ainda do transporte individual para que essa redução nos congestionamentos e na poluição fosse mais benéfica a toda a sociedade.

E isso se dá pela melhoria dos serviços. Através de corredores exclusivos, como os BRT – Bus Rapid Transit, os ônibus têm prioridade no espaço urbano e conseguem atender mais pessoas com maior conforto e rapidez. Mas não é apenas disso que o transporte de ônibus precisa. É necessário planejamento para que as linhas que servem os bairros que não comportam corredores também sejam eficientes. É fundamental que os operadores de transportes sejam desonerados, e que depois o poder público exija a contrapartida dessa desoneração, para que as tarifas também se tornem convidativas.

O ônibus foi, é e sempre será indispensável para que se ofereça mobilidade urbana de qualidade.

Outro discurso muito comum que se ouviu durante as paralisações é que o País é “refém” dos transportes rodoviários.

Como assim? Refém? Ninguém é refém de um serviço que traz tantos benefícios não só para a locomoção, mas para a qualidade de vida das pessoas.

Os cidadãos são reféns dos congestionamentos, da violência do trânsito e da poluição.

O que é necessário é ampliar as ofertas de transportes. Melhorar os serviços de ônibus, modernizar as redes de transportes sobre pneus e expandir os sistemas sobre trilhos, mais especificamente o metrô e o trem.

São Paulo tem um malha pífia de 74 quilômetros de metrô e uma rede de trens metropolitanos que soma 260 quilômetros.

Esta rede da CPTM poderia se tornar de fato um metrô de superfície se o poder público aplicasse bem o dinheiro da população e não gastasse bilhões e bilhões de reais em obras mirabolantes de transportes, que têm alto apelo de mídia e pouca capacidade de demanda.

Todos falam que 74 quilômetros de metrô é muito pouco para São Paulo. E é mesmo! Mas ninguém fala também que os atuais 120 quilômetros de corredores de ônibus na Capital também são insuficientes para a demanda de pessoas e o tamanho da cidade!

O que não é admissível é manipular dados ou aproveitar ocasiões para defender um ou outro lado.

As regiões metropolitanas precisam de uma rede que combine trilhos, corredores de ônibus e até “lotações” de bairro com eficiência.

Numa greve de rodoviários, falar que o Brasil é refém dos ônibus, é a mesma coisa que dizer quando os metroviário param em São Paulo, por exemplo, causando transtornos na cidade, que o País é refém do Metrô.

Existem discursos e chavões muito bonitos, que quase viraram mantras, mas que enganam a população.

A tempo: ninguém aqui é contra o direito de greve, desde que o movimento respeite as leis e os outros direitos de todos os cidadãos.

 

Matéria/Imagem: Blog ônibus Brasil / Thiago Pessoa

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